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--------------------------------* OS DESENHOS DESTE BLOGUE RESULTAM DA OBSERVAÇÃO DIRETA E FORAM FEITOS NO LOCAL *

«Não se deve querer fazer uma vez mais aquilo que a Natureza já fez perfeito. Não se deve querer parecer verdadeiro pela imitação das coisas.»
George Braque in «Cahiers de G. Braque»
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segunda-feira, 29 de março de 2021

Memórias de um domingo de primavera

Fins de semana querem-se assim, despreocupados. 

Banho quente e namoro com o homem da minha vida, que daqui a meia dúzia de anos nem me vai querer que o beije em público, segundo dente que cai ao menino, caça aos ovos com meninas traquinas, cocktails elaborados com bolas de sabão cheias de aromas frutados, companhias antigas, mimos de avós e amigas que nos levam os filhos para nos darem a oportunidade de desenhar em silêncio. 

Adoro este parque, este hotel. Lembro-me do "shinning" sem a parte do terror e, pelo contrário, imagino o Jack Nicholson a chegar ao pé da minha mesa e perguntar se me pode fazer companhia e eu a responder-lhe que sim mas: "em silêncio, por favor. Estou concentrada." 

A água da piscina serviu para tingir de ferro a folha do caderno, que viu uma das suas folhas arrancada delicadamente mas que já está novamente no seu lugar. 

E é nestes momentos que fico mt feliz por uma das minhas canetas ter a tinta a acabar e me permitir dar textura aos meus traços. 

Vanessa

Apreciem sem moderação (Eleonora Marinho)






segunda-feira, 22 de março de 2021

AMAROMAR

Dos momentos de passeio pela ilha.

Há dias mais inspirados que outros mas isso não é problema. Nem sempre gostamos do que fazemos mas devemos sempre procurar não deixar o lápis, a caneta, o caderno em casa, nunca se sabe quando pode surgir a oportunidade e principalmente a vontade.

O caso deste domingo foi um desses inspiradores, desenhei o Longe, quando normalmente me agarro ao Perto. O melhor destes desenhos foi o inesperado do local e a finalização deste, já em casa e algumas horas depois mas, as palavras estavam lá, gravadas na minha memória e por isso, gravei-as no papel como se fossem a paisagem, os blocos de rocha, a neblina do horizonte e a marca da minha vivência.

Boa semana e bons recomeços!





terça-feira, 16 de março de 2021

Sob o peso frágil da pálida abóbada

Visitar exposições com e sem crianças, faz toda a diferença. Se na primeira, o foco é naquilo que eles podem absorver durante a visita, na segunda, permitimo-nos deixar levar pela tranquilidade de não ser necessário estarmos constantemente de olho na mãozinha que vai tocar em alguma coisa ou a evitar que tropecem nalguma peça e assim, sacamos das ferramentas de observação das quais, a mais importante de todas é o olho.

Eu desenho o que vejo, não reproduzo, sinto. E outros há, que vêem através de mim e este post é para vos dar isso.

Como uma amiga costuma dizer: apreciem sem moderação!






segunda-feira, 15 de março de 2021

Ensaio geral no Estúdio 13

 Sexta-feira, cansada mas motivada por um reencontro físico há muito esperado. 

Apesar de ter sido um grande desafio, desenhar na escuridão e a tentar não interferir em demasia com o trabalho dos artistas do palco com uma pequena lanterna, explorei um dos registos que mais adoro fazer que é o da figura e do gesto.



Atriz  ensaiar ainda sem o seu figurino



Bailarina e adereços

Não deixei a minha amiga Rosa Lima Barreto cair no esquecimento e, como ela é uma muito boa influência em mim, ainda usei as suas técnicas de rasgagem para uma das minhas abordagens.

Rasgagem, para a minha amiga Rosa Lima Barreto

Agora, só me falta mesmo é experimentar fazer novos pigmentos com goma laca, dicas que a Alexandra Baptista me ensinou e me deixaram em pulgas para experimentar.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Não são ruínas, são muralhas

 Há sítios que nos servem para relembrar que apesar de corrermos atrás do nosso destino, muitas vezes esse destino nunca nos será concedido.

Há histórias de vidas que começam e acabam sem que nada venha a mudar.

Se para vocês é difícil, imaginem se já nasceram no difícil.



segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

O meu amigo Mário

Saí de casa ao som desta lenga-lenga: vamos ao cinema em tempo de covidinho. Entramos no shopping e toda a miudagem e graúdos também ficavam super contentes ppr se cruzarem com o autêntico super Mário que levava nos braços outro herói, o pikachu. Eu baixei-me e disse-lhe ao ouvido, tu és um herói para muita gente sabias?

O meu filho recebeu no natal um chapéu de Mário e outro do Luigi e ontem, pediu-me para lhe pintar um bigode e irmos ao cinema comer "picocas", foi o que fizemos!



quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

E se ainda existir uma carta de amor?

Saí de casa a correr. Sabia que me sobrava apenas uma hora de luz e, como o meu filho foi dar um passeio com o avô, já que os avós ganham sempre aos pais, pensei que seria uma boa desculpa para me agarrar a ver pelo meu caderno.

Gosto de paisagem mas gosto muito também,  de pormenores ou objetos isolados daí que tinha que encontrar algum desses para pintar no meio de ponta delgada. Estava sem ideias, segui à caça!

Encontrei estes dois, lado a lado, numa esquina, como dois namorados. Já não se vêem muitos destes e como eles, também já não se escrevem cartas de amor. Sms, mails, posts nas redes sociais são aos montes mas, cartas de amor, não meus amigos, poucos são aqueles que dedicam um bocado de tempo, papel e caneta a tão delicioso gesto.

Se um dia, eu receber uma, na minha caixa do correio, serei uma privilegiada tal como alguém já se terá sentido por receber tão doce correspondência. 



segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

... tarde a Sul

Enquanto esperava pelo meu filho, aproveitei a luz dourada, que nos é tão rara aqui nas ilhas, para desenhar.

Normalmente sinto-me mais atraída pela Natureza mas por vezes, existem coisas Humanas que nos deixam tão perto dela que não resisto a adorá-las. É o caso da escultura do japonês Minoru Niizuma, que se encontra entre praias, em São Miguel.

O frio era aceitável e a luz estava tão formosa que fiquei emocionada ao me aperceber que no metrosídero que podemos avistar ao fundo, se vislumbra a sombra da peça central e me lembra um rabo de baleia. Penso que esta escultura se chama "Açores" e, tão bem que lhe fica o nome.






 

Manhã a Norte...

 


Sei que, para muitos dos que por aqui andam, não fazer o registo gráfico totalmente in situ é algo a evitar mas, como para todas as regras há exceções, principalmente, se estas obrigam a estar demasiado tempo exposta ao frio e vento, prefiro fazer o desenho a caneta no local e depois, em espaço quente e acompanhada por uma bica, terminar o desenho colorindo-o.

Desde sempre fui uma pessoa das manhãs. Preferi sempre acordar de noite do que me deitar de manhã, hábito este que era estranho aos olhos de muita gente e que, por estes tempos, me parece cada vez mais e mais natural. Agora, sempre que posso, torno as minhas manhãs em momentos para fazer aquilo que me dá mais prazer ou, pelo contrário, encetar em tarefas que considero aborrecidas.

Este domingo, foi a vez de fazer o que me dá prazer: passear e desenhar!


foto: @Carlos Olyveira