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--------------------------------* OS DESENHOS DESTE BLOGUE RESULTAM DA OBSERVAÇÃO DIRETA E FORAM FEITOS NO LOCAL *

«Não se deve querer fazer uma vez mais aquilo que a Natureza já fez perfeito. Não se deve querer parecer verdadeiro pela imitação das coisas.»
George Braque in «Cahiers de G. Braque»

quinta-feira, 9 de julho de 2020

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Sobre o colchão, S.Jorge, 8 de julho de 2020

Sara Rocha Silva, Sobre o colchão, S.Jorge, 8 de julho de 2020

Hoje o dia esteve nublado, então fomos almoçar ao Topo e lanchar às Velas. Também estamos cansados e até soube bem. Todos escaldados do sol e há quem até esteja desfigurado. Faz lembrar um rapaz cão de uma série. Ao almoço encontramos o Helder e a Andreia (ups! Débora). Conversamos e foi muito agradável. O Helder é o Sr. do barco. Em breve vamos fazer um novo passeio pelo mar. Há hora do lanche passou o Eldon Coquete no carro dos bombeiros. Pôs o último nome porque é super caricato. Como é um meio pequeno, vamos encontrando com regularidade as pessoas. Um pouco como as freguesias mais pequeninas ou mais rurais. Aqui é difícil a solitude, acho eu. Talvez em zonas aceleradas, a solitude é algo mais frequente, a não ser que estejas numa casinha bem afastada de tudo, estava a lembrar-me de certas zonas na Costa Alentejana, mas também nem sei se é assim. Como também tenho bons momentos com essas pessoas, não me importo nada, até antes pelo contrário. Provavelmente vamos dar uma voltinha mais logo, mas aqui fica o registo de hoje. Em relação ao desenho foi feito sobre o colchão ao fim do dia e acho piada que o caderno que é molinho e sem suporte rígido por baixo faz com que as linhas também sejam assim mais moles e menos duras, um pouco como me sinto hoje, mas ainda fui sublinhar algumas zonas de forma a criar diferentes acentuações, ritmo. Eu para ser sincera, não olhei, ainda, bem para o desenho, mas pelo menos ficou-me essa ideia.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Na Fajã das Almas, 7 de julho de 2020


Sara Rocha Silva, Na Fajã das Almas, 7 de julho de 2020

Hoje desmotivei-me um pouco com o desenho, apesar de ter gostado muito do dia. Ainda escrevi umas coisitas para passar um pouco mais do que se passava, queria preservar o momento, mesmo não o vivendo de novo, como um estímulo a uma memória futura. Falta cor e outras coisas talvez mais importantes. Às vezes é assim.


Rita no Portinho da Queimada, 6 de julho de 2020


Sara Rocha Silva, Rita no Portinho da Queimada Grande, 6 de julho de 2020

Hoje é o meu quinto dia em S. Jorge. Já fizemos um monte de coisas giras e experiências novas. Ontem foi um dia calminho de cú para o sol no Portinho da Queimada. Conheci pessoas muito fixes que nos receberam de braços abertos. Essa é a Rita. Foi logo no primeiro dia. É uma pessoa cheia de energia, professora e surfista. Apareceu ao fim do dia. Fico com a ideia que depois do trabalho muitas pessoas vão dar os seus mergulhos e descontrair. Em toda a ilha está presente uma vista maravilhosa. Vê se sempre outras ilhas e num instante pomo-nos lá. No dia anterior por exemplo fui a Graciosa e fiquei surpreendida com tudo o que tem. Havia quem dizia que se via em 1 hora, mas não. Fomos de manhã até ao fim do dia e nunca paramos. Bebi leite de burra que diziam que antigamente era usado para tratamento dos reumáticos, fiz festinhas num burrinho pequenino, toquei e estive ao lado da Cereja, uma égua enorme mas meiguinha que mete um respeito enorme, fiquei toda arrepiada mas foi uma sensação muito boa, porque lembrava me do perigo de poder-se assustar ou de sentir o nosso medo, estava com medo da imprevisibilidade sobretudo quando olhava para o seu olho gigante ou quando se mexia. Também toquei noutro solto que tinha já 18 anos, era velhinho, enquanto tocavam música num ambiente intimista, o que acho que me ajudou. Quem estava muito à vontade era o Xanax, um cãozinho malhado com focinho estreito. A viagem de barco de borracha também foi inesquecível. De manhã o mar parecia um lençol de prata com nuvens de algodão colorido e à noite vimos o por de sol no regresso. É engraçado também que de barco vemos uma grande quantidade de nuvens sobre a terra, são provenientes do calor do corpo, é algo normal mas que eu nunca tinha associado. Em fim não vou esticar me mais, se não nunca mais paro. Mas pronto fica esse registo aqui da Rita e do porto num dia de sol, num caderno improvisado da minha irmã Mariana. Um caderno onde a capa é propaganda de medicamentos lol é uma boa terapia.

sábado, 4 de julho de 2020

Oficinas singulares #01 | Eduardo Salavisa

Lamentamos o facto de o ínicio da live ter ficado sem som.
No inicio fizemos uma apresentação do projeto e do nosso convidado.
E hoje para iniciarmos estas oficinas temos o privilégio de conversar com um sketchers que nasceu, vive e trabalha em Lisboa. EDUARDO SALAVISA é licenciado em Design de Equipamento pela Faculdade de Belas Artes. Foi professor do ensino secundário. Desenha quotidianamente e em viagem no seu diário gráfico. É autor de livros sobre este tipo de desenho, e participa em exposições, conferências, cursos e encontros. Colabora regularmente em jornais. Gosta de viagens longas, sem itinerário marcado, de preferência pelo Sul e a desenhar obsessivamente. Já fez algumas.


_ Olá Eduardo, obrigada por ter aceite o convite para estar aqui connosco...
_ Quando é que o caderno se tornou indispensável para si??
(e o resto a live resgistou)

Site: www.diariografico.com
Blog: http://xn--dirio-grafico-4db.blogspot.com/
Instagram: @salavisaeduardo

Partilhamos aqui a conversa desta manhã, esperando o vosso apego ao desafio proposto.

Oficinas Singulares #1



Primeira Oficina Singular, com Eduardo Salavisa. 

Nos tempos em que vivemos, temos que nos adaptar, e isso a prof Alexandra fez muito bem! Pode não ser o mesmo, mas o lado positivo é que pude estar no sofá de pijamas a assistir, no computador, a live.

O desafio que foi proposto fica para postar mais tarde. 

Visita agradável | Diário Gráfico


Minha primas vieram visitar nos, foi tão bom. Já não as via à muito tempo, como elas cresceram. Enquanto as teenagers estavam a tirar fotos na golden hour, eu fiquei com a minha prima Guida. Um amor, não se importou que a desenhasse e ainda fez pose. E a blusinha dela, cheia de borboletas, foi uma coincidência bonita. Pena que ela pareça mais velha no meu desenho.

terça-feira, 23 de junho de 2020

(a)Riscar o património literário

Já estão disponíveis online, os trabalhos resultantes da iniciativa (a)Riscar o Património Literário. Podem ser acedidos a partir do site do projecto, no menu superior ou carregando no cartaz disposto na barra lateral.
O mote que serviu ao repto lançado durante o período de confinamento e isolamento social foi “porque continuamos activos apesar de confinados, porque vivemos dias arriscados nunca antes vividos, vamos trazer o risco para dentro de casa numa proposta do (a)Riscar o Património. (…) A literatura, quer pelo seu elo a lugares e sítios – imaginados ou reais – quer pela sua capacidade de transcender a realidade, possibilita infindáveis representações gráficas. Assim, foi pedido a todos que, limitados aos seus lares, escolhessem uma ou duas obras literárias que considerassem marcantes – um romance, um poema, um conto ou ensaio – e desenhassem à vista um objecto, uma cena, a paisagem possível, uma personagem, ou algo que remetesse para o universo desse livro.”, porque a distância pode ser quebrada, e a(s) Arte(s) são a ponte que nos une.
O resultado foi muito bom e a todos agradecemos a participação.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

OFICINAS SINGULARES

Os USK Açores estão a retomar gradualmente a atividade com o objetivo de adequar a prática à realidade pandémica.
Lidar com o CONVID 19 obriga-nos a recriar dinâmicas e assim, vamos apresentar OFICINAS SINGULARES.


À semelhança do desenhar com… este projeto consiste em conversas informais - em Livestream - sobre a prática do desenho.
Sendo pessoal, o ato de desenhar permite que cada um nele encontre respostas - singulares - ao que procura.
Nestas sessões -mensais- convidamos um desenhador (entenda-se, praticante de Desenho) para nos falar da sua abordagem e desafiar-nos a desenhar - no/ num local - de acordo com o seu modo de ver.
A conversa será apresentada em direto no facebook e partilhada noutras redes sociais.

Esta parece-nos uma boa forma de aproximar as pessoas de todos o País e além fronteiras e de mostrar o que se faz em caderno.

No dia 4 de julho às 10 horas nos açores, 11 horas em Portugal continental vamos conversar em direto com Eduardo Salavisa e contamos com a vossa presença.

Dada a contingência atual, assumimos com estas OFICINAS que o distanciamento pode ser encurtado e convertido numa excelente forma de partilha.



segunda-feira, 1 de junho de 2020

A parte boa da notícia

Todos nos queixamos do uso da máscara, mas pensar que estamos em processo de desconfinamento dá-me a sensação de liberdade e faz-me relevar este constrangimento. A parte boa desta restrição é que me permite estar com os outros, sei que os protege e se os outros a usarem também me sinto protegida!

domingo, 31 de maio de 2020

em tons de verde

Saí de casa à procura dos tons de verde mais apaziguadores que conheço... comigo não levei muitos e tive alguma dificuldade em fazer juz à paisagem com os recursos que levei.

A parte boa da notícia

Estou desanimada e sem vontade de ler ou ver noticias, confesso. Não sabia, por isso o que representar.
Entretanto andava no carro e lembrava-me de uma publicação que tinha visto no Facebook há uns dias que dizia que se estamos confusos é porque estamos bem informados. Pois, se assim for - pensava, eu - não sei o que será melhor: se estar confusa, se mal informada. Enquanto pensava nisso, ouvia esta notícia na rádio do carro.

Em tons de verde


Plantas, plantas e mais plantas. Agora que estou numa casa de campo, não consigo se não desenhar plantas. 

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Moldura, quadro e enquadramento, 2020





Sara Rocha Silva, Moldura, quadro e enquadramento, 2020
Tinta de marcador e acrílico sobre papel, 27,8 x 21 cm

Gostei de ver uma nova constelação na folha, os pontinhos, talvez, sinais de pausas que não foram pausas. Envolvi-os de negro óxido de ferro. O céu na folha fez-me olhar para o manto nocturno, um céu com estrelas cobertas. Fiz uma cor depois de olhar e reolhar para ele, tentando identificar tons: um pouco de negro fumo, magenta, amarelo, azul cerúleo e ciano, sendo o negro o dobro da quantidade. 
Lembrei-me de fazer um rectângulo ou quadrado como uma caixa, onde se põe a mão no desconhecido ou como uma área limitada pelo que interpelasse entre mim e o fundo. Quando olhei para o manto, eu estava dentro de uma caixa iluminada. Comecei por mãos à obra, mas ainda tinha pontinhos e não os quis esconder, porque acho os bonitos. Ultimamente quando olho para as estrelas, recordo-me de uma frase de Van Gogh que estava na entrada de uma exposição. Dizia ele que olhar para as estrelas, fazia-o sonhar. Ou na ideia de glorificação, de infinito e desconhecido.

Moldura, quadro e enquadramento | Em tons de verde, 2020








Sara Rocha Silva, Moldura, quadro e enquadramento | Em tons de verde, 2020
Tinta de marcadores e acrílico sobre papel, 27,8 x 21 cm

Dois exercícios num.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Moldura, quadro e enquadramento







Passei da quarentena num cubiculo com uma pequena varanda em Lisboa para uma quarentena numa casa de campo no Algarve. Sinto-me muito melhor e celebro-o através das representações que vou fazendo. 
Assim sendo, de forma a responder ao desafio mantendo a minha apreciação pelo exterior, decidi fazer uma pequena moldura em papel e desenhar o cenário por ela enquadrado. 
Tive que fazê-lo na praia, já que passei grande parte do meu fim-de-semana nela.

Deixo, por isso, aqui uma imagem minha, da praia, e dos 30 graus celsius que ontem se fizeram sentir.  

Super-heróis

Como nos fomos mantendo em isolamento, nem sempre nos apercebemos do esforço tremendo que todo o pessoal ligado à saúde fez para nos garantir a segurança. Os enfermeiros em particular, têm sido extraordinários defensores da saúde pública. São trabalhadores dedicados e de risco, muitos distanciam-se dos familiares de modo a assegurar que nada lhes aconteça. E lá vão eles, prontos a ajudar.
Deixando de parte a politiquice, esta pandemia impôs desafios dificeis e muitos sacrifícios a todos, revelaram-se ainda, as grandes PESSOAS, aquelas que são capazes de agir em prol da COMUNIDADE e da REGIÃO, a elas também, o meu humilde e reconhecido agradecimento.

domingo, 24 de maio de 2020

Moldura, quadro e enquadramento

Nos dias que correm todos os enquadramentos ou encaixes prendem-se de alguma forma às «janelas de isolamento». Umas vezes vemos as pessoas que estão do outro lado, outras não. Para mim - apesar de gostar de tecnologia - é muito estranho e impessoal quando interajo com «bolas-sem rosto»... umas vezes por razões técnicas, outras porque é moda e outras porque sim.
Fui espalhando pelo chão os desenhos que fiz numa das sessões do Meet e misturei-os com outros,  também do quotidiano, para poder compor o «quadro». A moldura, pensei deixá-la branca.

Moldura quadro e enquadramento

vistas da janela da falsa

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Fantasiar...

Enquanto olhava para o copo dos pincéis, procurando responder - com dias de atraso-  ao desafio proposto, ocorreu-me fazer uma descida ao «céu». Estou tão saturada de não poder andar por aí e mergulhar na paisagem...

Mais/ menos um dia, 2020




Sara Silva, S/ título, 2020
Lãs, tinta de marcadores, esferográfica e acrílico sobre e entre papel, 21 x 27,8 cm

Um registo do teletrabalho de quem está no exterior observando. Coloquei uma foto do após e outra posterior, porque achei curioso as linhas de lã ganharem um aspecto tosco, espalmadas, com o virar das páginas (onde se seguiram e seguem novos registos) e fechamento do caderno.
Noutro, os meus modelos do costumo. Uma nuvem fragmentada de cores que originou um rio, onde flutuam as personagens, num leito com margens de roxo e verde que fazem-me associar a um pântano com pedras amarelas, de ouro. E um verde extendido pelo rosto como uma máscara, um verde que associo à natureza, talvez inconscientemente a ideia do super herói se afirmou ou até de uma ligação com a mãe e a natureza. Não sei. Num desenho de uma urban, eu vi uma afirmação sobre todos nós sermos heróis. Há em cada um algo que aprecio. Somos super heróis e vilões, ou não?!

Super Herói

Os verdadeiros heróis não usam capas, muitas vezes passam despercebidos...

Super Herói




Sei que estou sempre a representar plantas, mas quando vi que o desafio consistia em desenhar um super herói, não consegui pensar em outra coisa. 
Estou agora a ler o livro A Revolução das Plantas de Stefano Mancuso e a cada página, o meu espanto e admiração em relação às plantas apenas aumenta. Os seus mecanismos extraordinários - únicos entre os seres vivos - e capacidade de sobrevivência invejável, ainda que condicionadas à imobilidade que as caracteriza são, de veras, impressionantes. 
Em adição, no livro, mais do que uma vez, é referida a interdependência entre seres vivos, particularmente entre a espécie humana e as plantas. 
Dependemos fortemente delas para sobreviver, ainda que muitas pessoas parecem já o ter esquecido ... ou nunca o souberam ... 

De qualquer dos modos, são, sem dúvida, as minhas super heroinas! (Ainda mais por serem, tantas vezes, subestimadas). 

quarta-feira, 20 de maio de 2020

4 vistas | Iúri Arruda

Sketch tour.
Aproveitando as paragens de carro por Ponta Delgada.

Fantasia e opostos, 2020




Sara Silva, Fantasia e opostos, 2020
Tinta de esferográfica e marcadores sobre papel, 27,9 x 21 cm

Um desenho que estava no meu caderno há alguns dias. Outro, onde brinquei com figuras espalhadas pela casa (bonecos de viagens, figuras humanas presentes em fotografias e ao vivo, concha e candeeiro) de uma forma compositiva aleatória pela página e criando uma envolvência pela cor e gesto. Acho que remete a uma fantasia, mas ainda quero fazer mais experiências.
Nas últimas páginas joguei sobretudo com a linha e com os opostos, num género de colagem.