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--------------------------------* OS DESENHOS DESTE BLOGUE RESULTAM DA OBSERVAÇÃO DIRETA E FORAM FEITOS NO LOCAL *

«Não se deve querer fazer uma vez mais aquilo que a Natureza já fez perfeito. Não se deve querer parecer verdadeiro pela imitação das coisas.»
George Braque in «Cahiers de G. Braque»

terça-feira, 23 de junho de 2020

(a)Riscar o património literário

Já estão disponíveis online, os trabalhos resultantes da iniciativa (a)Riscar o Património Literário. Podem ser acedidos a partir do site do projecto, no menu superior ou carregando no cartaz disposto na barra lateral.
O mote que serviu ao repto lançado durante o período de confinamento e isolamento social foi “porque continuamos activos apesar de confinados, porque vivemos dias arriscados nunca antes vividos, vamos trazer o risco para dentro de casa numa proposta do (a)Riscar o Património. (…) A literatura, quer pelo seu elo a lugares e sítios – imaginados ou reais – quer pela sua capacidade de transcender a realidade, possibilita infindáveis representações gráficas. Assim, foi pedido a todos que, limitados aos seus lares, escolhessem uma ou duas obras literárias que considerassem marcantes – um romance, um poema, um conto ou ensaio – e desenhassem à vista um objecto, uma cena, a paisagem possível, uma personagem, ou algo que remetesse para o universo desse livro.”, porque a distância pode ser quebrada, e a(s) Arte(s) são a ponte que nos une.
O resultado foi muito bom e a todos agradecemos a participação.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

OFICINAS SINGULARES

Os USK Açores estão a retomar gradualmente a atividade com o objetivo de adequar a prática à realidade pandémica.
Lidar com o CONVID 19 obriga-nos a recriar dinâmicas e assim, vamos apresentar OFICINAS SINGULARES.


À semelhança do desenhar com… este projeto consiste em conversas informais - em Livestream - sobre a prática do desenho.
Sendo pessoal, o ato de desenhar permite que cada um nele encontre respostas - singulares - ao que procura.
Nestas sessões -mensais- convidamos um desenhador (entenda-se, praticante de Desenho) para nos falar da sua abordagem e desafiar-nos a desenhar - no/ num local - de acordo com o seu modo de ver.
A conversa será apresentada em direto no facebook e partilhada noutras redes sociais.

Esta parece-nos uma boa forma de aproximar as pessoas de todos o País e além fronteiras e de mostrar o que se faz em caderno.

No dia 4 de julho às 10 horas nos açores, 11 horas em Portugal continental vamos conversar em direto com Eduardo Salavisa e contamos com a vossa presença.

Dada a contingência atual, assumimos com estas OFICINAS que o distanciamento pode ser encurtado e convertido numa excelente forma de partilha.



segunda-feira, 1 de junho de 2020

A parte boa da notícia

Todos nos queixamos do uso da máscara, mas pensar que estamos em processo de desconfinamento dá-me a sensação de liberdade e faz-me relevar este constrangimento. A parte boa desta restrição é que me permite estar com os outros, sei que os protege e se os outros a usarem também me sinto protegida!

domingo, 31 de maio de 2020

em tons de verde

Saí de casa à procura dos tons de verde mais apaziguadores que conheço... comigo não levei muitos e tive alguma dificuldade em fazer juz à paisagem com os recursos que levei.

A parte boa da notícia

Estou desanimada e sem vontade de ler ou ver noticias, confesso. Não sabia, por isso o que representar.
Entretanto andava no carro e lembrava-me de uma publicação que tinha visto no Facebook há uns dias que dizia que se estamos confusos é porque estamos bem informados. Pois, se assim for - pensava, eu - não sei o que será melhor: se estar confusa, se mal informada. Enquanto pensava nisso, ouvia esta notícia na rádio do carro.

Em tons de verde


Plantas, plantas e mais plantas. Agora que estou numa casa de campo, não consigo se não desenhar plantas. 

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Moldura, quadro e enquadramento, 2020





Sara Rocha Silva, Moldura, quadro e enquadramento, 2020
Tinta de marcador e acrílico sobre papel, 27,8 x 21 cm

Gostei de ver uma nova constelação na folha, os pontinhos, talvez, sinais de pausas que não foram pausas. Envolvi-os de negro óxido de ferro. O céu na folha fez-me olhar para o manto nocturno, um céu com estrelas cobertas. Fiz uma cor depois de olhar e reolhar para ele, tentando identificar tons: um pouco de negro fumo, magenta, amarelo, azul cerúleo e ciano, sendo o negro o dobro da quantidade. 
Lembrei-me de fazer um rectângulo ou quadrado como uma caixa, onde se põe a mão no desconhecido ou como uma área limitada pelo que interpelasse entre mim e o fundo. Quando olhei para o manto, eu estava dentro de uma caixa iluminada. Comecei por mãos à obra, mas ainda tinha pontinhos e não os quis esconder, porque acho os bonitos. Ultimamente quando olho para as estrelas, recordo-me de uma frase de Van Gogh que estava na entrada de uma exposição. Dizia ele que olhar para as estrelas, fazia-o sonhar. Ou na ideia de glorificação, de infinito e desconhecido.

Moldura, quadro e enquadramento | Em tons de verde, 2020








Sara Rocha Silva, Moldura, quadro e enquadramento | Em tons de verde, 2020
Tinta de marcadores e acrílico sobre papel, 27,8 x 21 cm

Dois exercícios num.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Moldura, quadro e enquadramento







Passei da quarentena num cubiculo com uma pequena varanda em Lisboa para uma quarentena numa casa de campo no Algarve. Sinto-me muito melhor e celebro-o através das representações que vou fazendo. 
Assim sendo, de forma a responder ao desafio mantendo a minha apreciação pelo exterior, decidi fazer uma pequena moldura em papel e desenhar o cenário por ela enquadrado. 
Tive que fazê-lo na praia, já que passei grande parte do meu fim-de-semana nela.

Deixo, por isso, aqui uma imagem minha, da praia, e dos 30 graus celsius que ontem se fizeram sentir.  

Super-heróis

Como nos fomos mantendo em isolamento, nem sempre nos apercebemos do esforço tremendo que todo o pessoal ligado à saúde fez para nos garantir a segurança. Os enfermeiros em particular, têm sido extraordinários defensores da saúde pública. São trabalhadores dedicados e de risco, muitos distanciam-se dos familiares de modo a assegurar que nada lhes aconteça. E lá vão eles, prontos a ajudar.
Deixando de parte a politiquice, esta pandemia impôs desafios dificeis e muitos sacrifícios a todos, revelaram-se ainda, as grandes PESSOAS, aquelas que são capazes de agir em prol da COMUNIDADE e da REGIÃO, a elas também, o meu humilde e reconhecido agradecimento.

domingo, 24 de maio de 2020

Moldura, quadro e enquadramento

Nos dias que correm todos os enquadramentos ou encaixes prendem-se de alguma forma às «janelas de isolamento». Umas vezes vemos as pessoas que estão do outro lado, outras não. Para mim - apesar de gostar de tecnologia - é muito estranho e impessoal quando interajo com «bolas-sem rosto»... umas vezes por razões técnicas, outras porque é moda e outras porque sim.
Fui espalhando pelo chão os desenhos que fiz numa das sessões do Meet e misturei-os com outros,  também do quotidiano, para poder compor o «quadro». A moldura, pensei deixá-la branca.

Moldura quadro e enquadramento

vistas da janela da falsa

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Fantasiar...

Enquanto olhava para o copo dos pincéis, procurando responder - com dias de atraso-  ao desafio proposto, ocorreu-me fazer uma descida ao «céu». Estou tão saturada de não poder andar por aí e mergulhar na paisagem...

Mais/ menos um dia, 2020




Sara Silva, S/ título, 2020
Lãs, tinta de marcadores, esferográfica e acrílico sobre e entre papel, 21 x 27,8 cm

Um registo do teletrabalho de quem está no exterior observando. Coloquei uma foto do após e outra posterior, porque achei curioso as linhas de lã ganharem um aspecto tosco, espalmadas, com o virar das páginas (onde se seguiram e seguem novos registos) e fechamento do caderno.
Noutro, os meus modelos do costumo. Uma nuvem fragmentada de cores que originou um rio, onde flutuam as personagens, num leito com margens de roxo e verde que fazem-me associar a um pântano com pedras amarelas, de ouro. E um verde extendido pelo rosto como uma máscara, um verde que associo à natureza, talvez inconscientemente a ideia do super herói se afirmou ou até de uma ligação com a mãe e a natureza. Não sei. Num desenho de uma urban, eu vi uma afirmação sobre todos nós sermos heróis. Há em cada um algo que aprecio. Somos super heróis e vilões, ou não?!

Super Herói

Os verdadeiros heróis não usam capas, muitas vezes passam despercebidos...

Super Herói




Sei que estou sempre a representar plantas, mas quando vi que o desafio consistia em desenhar um super herói, não consegui pensar em outra coisa. 
Estou agora a ler o livro A Revolução das Plantas de Stefano Mancuso e a cada página, o meu espanto e admiração em relação às plantas apenas aumenta. Os seus mecanismos extraordinários - únicos entre os seres vivos - e capacidade de sobrevivência invejável, ainda que condicionadas à imobilidade que as caracteriza são, de veras, impressionantes. 
Em adição, no livro, mais do que uma vez, é referida a interdependência entre seres vivos, particularmente entre a espécie humana e as plantas. 
Dependemos fortemente delas para sobreviver, ainda que muitas pessoas parecem já o ter esquecido ... ou nunca o souberam ... 

De qualquer dos modos, são, sem dúvida, as minhas super heroinas! (Ainda mais por serem, tantas vezes, subestimadas). 

quarta-feira, 20 de maio de 2020

4 vistas | Iúri Arruda

Sketch tour.
Aproveitando as paragens de carro por Ponta Delgada.

Fantasia e opostos, 2020




Sara Silva, Fantasia e opostos, 2020
Tinta de esferográfica e marcadores sobre papel, 27,9 x 21 cm

Um desenho que estava no meu caderno há alguns dias. Outro, onde brinquei com figuras espalhadas pela casa (bonecos de viagens, figuras humanas presentes em fotografias e ao vivo, concha e candeeiro) de uma forma compositiva aleatória pela página e criando uma envolvência pela cor e gesto. Acho que remete a uma fantasia, mas ainda quero fazer mais experiências.
Nas últimas páginas joguei sobretudo com a linha e com os opostos, num género de colagem.

domingo, 17 de maio de 2020

Tapeçaria «luminescente»

Fui novamente - munida de máscara - espreitar o campo de São Francisco levando comigo poucos utensílios de desenho e um caderno relativamente pequeno. Após esta experiência, que me comprimiu no âmago, fui incapaz de jantar e assim, deixo aqui os desenhos  (com lápis de cor) que cumprem o desafio deste dia: «lápis de cor para o jantar». 




Encostei-me num canto do «altar» que foi espontaneamente tecido pelas pessoas ao longo destes dias. São velas, são flores, são promessas e votos de esperança que cobrem o adro da igreja formando uma tapeçaria «luminescente» com aroma, cores e textura da festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Esta manifestação -popular- deixa um cunho de forte identidade e serena resiliência sendo incrivelmente genuína.

Perspetiva | lápis de cor | Iúri Arruda

A inventar uma perspetiva, lápis de cor.

Encontro 31 USK, Açores, Ilha Terceira

Encontro 31 no dia 23 de maio às 14:30
Degraus da Sé de Angra do Heroísmo
USK, Açores, Ilha Terceira